Uma Questão de Consciência e Cidadania
“A política está acima da consciência” essa frase de William Shakespeare nos leva a alguns questionamentos acerca de como anda a política de nosso país. Muitos estudiosos, cientistas e críticos políticos costumam distinguir política de politicagem. Esta seria um desvio aos preceitos éticos e morais, enquanto aquela seria a arte de administrar democraticamente os bens públicos, com ética e transparência. Todavia, um questionamento poderia ser feito. Na sociedade atual há realmente distinção entre esses dois conceitos? Muitos desdobramentos provavelmente seriam expostos com as mais variadas argumentações, e dificilmente teríamos um pensamento único e conclusivo sobre o assunto.
Diante da emblemática, seria mais fácil fazermos mesmo que esporadicamente uma análise mais pessoal sobre o que cada um de nós cidadãos estamos vendo, sentindo, percebendo e achando sobre os políticos que por ora nos representam, seja no âmbito federal, estadual ou municipal. Essa análise teria que ser imparcial, verdadeira, você e sua consciência, e tenho certeza que perceberíamos que não estamos nem de longe exercendo cidadania e o que está acontecendo não se parece nem um pouco com política.
Para expor com mais clareza minha opinião sobre o assunto reporto-me a minha querida Caraúbas, terra amada por todos, explorada por outros tantos e questionada por outros mais. Uma cidade centenária, de ilustres cidadãos, figuras públicas memoráveis, intelectuais, desportistas, educadores de notável saber, uma cidade folclórica, da festa do padroeiro são Sebastião, dos antigos carnavais, das festas de são João e grandes vaquejadas.
A caraúbas de hoje não é a mesma de outrora, e é bem verdade que chegou o desenvolvimento, a tecnologia, a informação, o comércio formal e diversificado, o ensino superior, a internet, a telefonia móvel, ONGs, movimentos sociais, e muitos outros benefícios; mas inevitavelmente atrelado a eles veio à insegurança, drogas, contravenções, desemprego, e outras mazelas da sociedade que evidentemente não são problemas exclusivos da nossa caraúbas.
Mas o que na verdade está deixando nossos munícipes tristes e decepcionados, acredito eu, é a forma como está sendo feita a política e/ou politicagem em Caraúbas. Caraubenses filhos da terra, buscando incessantemente o benefício próprio em detrimento do bem comum. Troca de favores, demonstração explícita de desrespeito com os cidadãos, promessas, brigas políticas, inversão de valores, os poderes executivo e legislativo se confundindo quanto ao papel que cabe a ambos. Representantes do povo que na ânsia do poder os tratam como verdadeiras marionetes, acordos inescrupulosos, intrigas partidárias, insatisfação da população, descaso. Não estou fazendo juízos de valores, até porque não é esse o meu objetivo. Estou apenas de forma consciente como cidadão e caraubense que sou expondo o que estou sentindo mesmo que ausente da minha terra. Cabe a nós caraubenses nos unirmos e fazermos de nossa cidade um lugar cada vez melhor para se viver, e devemos desde já mudar esse cenário caótico que se transformou a política de Caraúbas, exercendo nossa cidadania com consciência. Lembrem-se: O poder emana do povo e por ele deve ser exercido.
Citando Ruy Barbosa quero aqui encerrar minha humilde opinião sobre tão pragmático assunto que é a política. Disse ele: “De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto."
Allysson Régis Praxedes Moreira
Engenheiro Agrônomo
Natal-RN, 17 de Abril de 2011
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